//A discriminação à mulher negra no mercado de trabalho

A discriminação à mulher negra no mercado de trabalho

Esse preconceito é proveniente de séculos de escravidão ao qual foram submetidos os negros que foram trazidos ao Brasil, no período colonial. Como resquício desta escravidão, a discriminação racial ainda está constantemente presente no seio da sociedade uma vez que o negro – em especial a mulher negra – ainda é subjugado por sua etnia. Esta visão etnocêntrica traz verdadeiro retrocesso à nossa sociedade uma vez que nos deparamos com dificuldades numéricas das mulheres ao mercado de trabalho, que ora é apresentado de uma forma direta, ora indireta, sendo esta última, a mais cruel de todas, onde se mascara atitudes de cunho eminentemente racista.

Quando diretamente, as dificuldades se afiguram no momento da busca de um emprego, em que as candidatas negras não são aprovadas já na fase da entrevista, mesmo possuindo um histórico acadêmico/profissional notável. Por oportuno, ainda nos deparamos com a dificuldade desta mulher à ascensão profissional com dificuldade em ocupar postos formais, mais qualificados, de uma melhor remuneração, onde sofrem com as oportunidades desiguais em relação aos brancos, visto que lhes são ofertados menores salários. Resultando assim na taxa de desemprego que é duas vezes maior do que em relação ao homem branco, pois lutam contra o racismo e o machismo no mercado de trabalho e muitas vezes não ocupam melhores vagas porque são discriminadas e não por falta de capacidade. Também é notória a falta destas profissionais na área de comunicação direta, onde raramente encontramos uma atendente ou recepcionista negra.

É necessário compreender que o trabalho é basilar na vida em sociedade e, sem acesso a ele, a população negra e seus descendentes não têm condições de melhorar de vida e de se estruturar, causando cada vez mais desigualdade social neste País. O combate a esta discriminação é apenas umas das formas de garantir a igualdade de oportunidade e, assim, extirpar desta sociedade um problema de gerações e gerações.

O ato de discriminar agride os Direitos Humanos e o princípio da Dignidade Humana que está descrita em nosso ordenamento jurídico, que inclusive tem previsão penal para tanto. É necessário educar a sociedade, pois só com a educação, o conhecimento de seus deveres e direitos, a tolerância, a erradicação da discriminação racial é a base de uma sociedade organizada que deve reger um país.

Sayonara de Andrade Leme é Professora de Sociologia na E.E. Rosélia Braga Xavier em Itanhaém.