//você já viu alguém ficar rico trabalhando

você já viu alguém ficar rico trabalhando

Embora não faltem exemplos, eu nunca vi.  O presidente de determinado banco, os megaempresários da alimentação, o dono de conglomerado de telecomunicações conta suas histórias, ou rezam suas lendas que eram apenas um office boy, ou filhos de um açougueiro, ou um mascate – caixeiro viajante, como se dizia antigamente – e a partir de seus próprios esforços tornaram-se muito ricos. Não tão ricos quanto os jogadores de futebol, num país com dezenas de milhões de amadores; alguns, poucas centenas, ganham bem, e poucas dezenas ficam, de fato, ricos. E para isso a fortuna tem que ser conquistada nos poucos anos de carreira esportiva e sabiamente guardada e investida.Embora não faltem exemplos, eu nunca vi.  O presidente de determinado banco, os megaempresários da alimentação, o dono de conglomerado de telecomunicações conta suas histórias, ou rezam suas lendas que eram apenas um office boy, ou filhos de um açougueiro, ou um mascate – caixeiro viajante, como se dizia antigamente – e a partir de seus próprios esforços tornaram-se muito ricos. Não tão ricos quanto os jogadores de futebol, num país com dezenas de milhões de amadores; alguns, poucas centenas, ganham bem, e poucas dezenas ficam, de fato, ricos. E para isso a fortuna tem que ser conquistada nos poucos anos de carreira esportiva e sabiamente guardada e investida.

Ora, quantos contadores, vendedores ambulantes, açougueiros conhecemos? Quantos deles ficaram ou têm possibilidade de ficarem ricos trabalhando? Quantos pais que conhecemos colocaram seus filhos em escolinhas de futebol e os levaram a incontáveis “peneiras” na esperança de contratação por um time da série A? Quantos desses ficarão ricos? Ser rico seria, no mínimo, ter dinheiro suficiente para não precisar trabalhar. Mas as possibilidades descritas acima nos fazem acreditar que muito poucas pessoas, ou ninguém, que conhecemos ficará rico. Que fazer? Jogar na loteria? Piorou! A chance de se ganhar na loteria mais concorrida do ano é de uma, em 50 milhões! Ou seja, se este prêmio corresse duas vezes por semana, você poderia levar até quase quinhentos mil anos para ganhar. Sendo realista, você pode até ganhar na primeira vez que jogar, mas o mais provável é que isso jamais aconteça.   O que nos resta?  Trabalhar? Pode ser, mas não só. A legislação trabalhista atual prevê que, após um tempo de contribuição, o governo nos propicie renda sem trabalhar. O cálculo desta renda é baseado em nosso tempo de contribuição e na expectativa de vida da população. Numa espécie de loteria às avessas, se você sobreviver ao período de contribuição, terá direito a alguns anos de renda às custas do fundo de aposentadoria –  conjunta de todos os trabalhadores –  que ajudou a construir com sua contribuição mensal.

Temos que sobreviver ao trabalho para não ter que trabalhar para viver, ao menos no fim da vida. E, claro, ganhar o salário mínimo (para onde caminham todos os benefícios sem reajustes adequados) não tem nada a ver com ficar rico. Mas é o que temos de garantia para um período de descanso digno, após uma jornada de muitos anos de trabalho. Não seria hora de colocar de lado os jogadores de futebol, os desconhecidos que ficaram ricos a partir do nada, a loteria e pensarmos um pouco em quantos anos queremos ter de sobrevida? Quanto tempo até nossa aposentadoria?

Luciano Ferreira Alves é formado em Artes Cênicas- Direção teatral pela ECA-USP. Especialista pela FTU e mestrando em educação na área de cultura e organização pela FEUSP